Acordei feliz e cantando, e não era à toa, não tinha nem uma semana que havia começado um namoro com uma das meninas mais belas do colégio, a Heloísa, gente boíssima, linda e cheirosa, e que fazia e talvez ainda faça parte do imaginário da maioria dos meninos da escola, como eu, hoje marmanjões. Eu tinha 14 anos e estudava em escola pública, o Colégio Camilo Castelo Branco, no bairro do Horto ao lado do Jardim Botânico no Rio de Janeiro.
No caminho para a escola eu estampava um sorriso de orelha a orelha, parecia flutuar.
Quando entrei na sala a turma inteira gritou em coro: --- Ta namorando! Ta namorando! Ta namorando! Nosso namoro foi descoberto, viramos tomates de tanta vergonha. Nós tínhamos um acordo, não namorar na escola, senão iriam encher o nosso saco, os mais novos dando rizinhos e fofocando e os coroas dizendo: --- Ah, que lindinhos, que fofinhos. Só sei que passei por duas ou três aulas concentradíssimo, desenhando corações e escrevendo poesias, como poderia imaginar que logo toda aquela alegria se transformaria em tensão.
No recreio, estava jogando futebol com bola de meia com alguns colegas e o jogo estava quente, não me recordo se ganhamos ou perdemos, mas me lembro do sol forte e da poeira da terra batida e do sentimento aguerrido de querer partir pro gol, da marcação acirrada dos oponentes, que eram de outra turma. Bem, encerrada a partida e o recreio com o sinal da escola, rolou uma encrenca, um dos meninos do time adversário se aproximou de mim e perguntou: --- Não é você que está namorando a Heloísa da turma 205?
--- Sim, por quê? Perguntei.
--- Porque eu quero dar uns amassos nela, ela é muita boa. Pronto, foi o suficiente, não agüentei e dei uma peitada nele, quer dizer, na barriga dele, porque ele era muito alto, mas, muito magro. Ele levantou o braço pra me bater, mas, eu peguei o braço dele e o empurrei, ele caiu, e quando levantou veio brigar de novo e outra vez a cena se repetiu; ta lá um corpo estendido no chão. Quando lá vinha ele de novo e agora junto com uns três amigos, o inspetor chegou e apartou a briga ameaçando nos levar pra diretora. Ele foi embora gritando que ia me pegar e dar porrada na Heloísa.
Voltei às aulas, preocupado, pois, o cara era da temida Turma do Balança, um bando de 20 a 30 garotos barras-pesadas de um condomínio próximo a escola, que azucrinavam a região e a todos que ficassem no caminho. Mas, parecia que o encanto por Heloísa era mais forte do que o temor pelo bando, pois, logo, esqueci da briga e continuei a estudar, quer dizer, a desenhar poesias e escrever corações, opa.
Na saída da escola ainda estava meio nas nuvens, tanto que quando percebi que restavam apenas eu e um colega na sala, e que todo mundo já tinha ido embora, me veio à cabeça, a imagem do bando do Balança, olhei pra o Marcelo e perguntei:
--- Vai pra Botafogo?
--- Vou e você?
--- Vou contigo, mas tenho que lhe contar uma coisa. Disse eu. No caminho da saída contei-lhe toda a história da briga e que o garoto tinha nos ameaçado, mas que ele não se preocupasse que não ia acontecer nada, pois, quem falava muito fazia pouco.
--- Ih, andar contigo agora é perigoso, né? Abre o olho, e agora Arnaldo?
--- Agora não vai acontecer nada, é muito cedo, ele vai querer me pegar amanhã, depois que chamar a turma. Fica tranqüilo que a gente vai olhando de longe.
O Marcelo também era de paz, com a diferença que não era um ímã de encrencas e malas, nunca, em anos de convivência o vi numa briga.
Chegando ao portão vimos que quase todos os estudantes já tinham ido embora, então nos apressamos em atravessar a rua e ir pro ponto de ônibus a uns cem metros. No meio da rua alguém me jogou um resto de manga chupada na perna, já me virei xingando a mãe, quando vimos, havia uns 20 garotos encostados na parede e um deles era o tal da briga, petrificamos, baixamos a bola, engasgamos e disfarçamos em direção ao ponto como se nada tivesse acontecido. Aí o Marcelo sussurou:
--- Lá vem a galera em nossa direção. E agora?
--- Ó, se eles nos juntarem, corremos para a padaria e pedimos ajuda de alguns adultos.
--- Olha pra padaria! Só tem duas velhinhas.
--- Então podemos entrar na garagem da Globo, mas sairmos correndo na área deles é suicídio.
Em segundos estávamos cercados e um deles veio tirar satisfação. --- Agora eu quero ver, quem é o filho da puta aqui? Quem é, quem é? --- Veja Bem! Eu disse, quase susurrando. --- Só é filho da puta quem se sente filho da puta. Tentando amenizar e sem dar o braço a torcer. Aí o garoto que brigou comigo na escola entrou na roda e me encarou: --- Quero ver cair dentro agora? --- Mas, você queria bater numa garota?! Disse eu. Instintivamente aproveitei pra convencer o bando dele que ele é quem estava errado, evidenciando a sua ameaça sem causa a uma menina de 14 anos e que se ele quisesse poderíamos acertar as diferenças ali, mas sem covardia, só eu e ele. Se sentindo encurralado o cara começou a me xingar, rir amarelo e a sacanear um dos amigos dele, um saco de pancada, como que para tirar a atenção. Quando o que me jogou a manga parece que sentiu o constrangimento do amigo e saiu andando em direção à padaria e dizendo pra eu daqui pra frente tomar cuidado na área deles, e que se eu vacilasse ia levar uma surra, e todos o acompanharam, azucrinando e dispersando e atravessaram a rua, enquanto isso, Eu e Marcelo fomos andando para o ponto seguinte, e só nos sentimos aliviados quando fizemos a curva, e já não éramos vistos. Esperamos o ônibus e nada, mas ia passando o “quinhentão”, apelido do ônibus que fazia um trajeto curto, mas que não servia pra gente, parou na nossa frente. E quem estava nele? Todo o bando do Balança gritando e batucando, quando o ônibus partiu, esse maluco aqui fez sinais obscenos pra galera, pensando que eles não poderiam mais nos atingir. Imagina o que aconteceu? Eles fizeram o motorista parar e abrir a porta do ônibus, lá vinha a galera toda que nem feras pra cima da gente, quem nos salvou foram três garis que imploramos para que nos protegessem, aí nos cercaram e o pau comeu, porque eles eram muitos, eu era ateu, mas, assim mesmo Deus mandou o nosso ônibus, no qual entramos aos trancos e barrancos quase sem camisa e descabelados, e ainda acertei um chute, tipo coice em um que pegou minha perna. Cacete, hein?!
No dia seguinte uma comissão de pais pedia segurança da PM na porta da escola. Heloísa e eu tivemos que namorar e andar escondidos durante semanas, não ir às festas do Piraquê no domingo à tarde e, viver como perseguidos pelos cantos escuros de dois Bairros. Romance e adrenalina.
Em segundos estávamos cercados e um deles veio tirar satisfação. --- Agora eu quero ver, quem é o filho da puta aqui? Quem é, quem é? --- Veja Bem! Eu disse, quase susurrando. --- Só é filho da puta quem se sente filho da puta. Tentando amenizar e sem dar o braço a torcer. Aí o garoto que brigou comigo na escola entrou na roda e me encarou: --- Quero ver cair dentro agora? --- Mas, você queria bater numa garota?! Disse eu. Instintivamente aproveitei pra convencer o bando dele que ele é quem estava errado, evidenciando a sua ameaça sem causa a uma menina de 14 anos e que se ele quisesse poderíamos acertar as diferenças ali, mas sem covardia, só eu e ele. Se sentindo encurralado o cara começou a me xingar, rir amarelo e a sacanear um dos amigos dele, um saco de pancada, como que para tirar a atenção. Quando o que me jogou a manga parece que sentiu o constrangimento do amigo e saiu andando em direção à padaria e dizendo pra eu daqui pra frente tomar cuidado na área deles, e que se eu vacilasse ia levar uma surra, e todos o acompanharam, azucrinando e dispersando e atravessaram a rua, enquanto isso, Eu e Marcelo fomos andando para o ponto seguinte, e só nos sentimos aliviados quando fizemos a curva, e já não éramos vistos. Esperamos o ônibus e nada, mas ia passando o “quinhentão”, apelido do ônibus que fazia um trajeto curto, mas que não servia pra gente, parou na nossa frente. E quem estava nele? Todo o bando do Balança gritando e batucando, quando o ônibus partiu, esse maluco aqui fez sinais obscenos pra galera, pensando que eles não poderiam mais nos atingir. Imagina o que aconteceu? Eles fizeram o motorista parar e abrir a porta do ônibus, lá vinha a galera toda que nem feras pra cima da gente, quem nos salvou foram três garis que imploramos para que nos protegessem, aí nos cercaram e o pau comeu, porque eles eram muitos, eu era ateu, mas, assim mesmo Deus mandou o nosso ônibus, no qual entramos aos trancos e barrancos quase sem camisa e descabelados, e ainda acertei um chute, tipo coice em um que pegou minha perna. Cacete, hein?!

